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domingo, 16 de julho de 2017

A revolução de Aquenáton, o faraó que acabou com 2 mil deuses e instaurou o monoteísmo no Egito




Aquenáton e sua mulher, NefertitiDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionCasado com a famosa rainha Nefertiti, Aquenáton também era conhecido com Amenhotep IV

Desde o início de seu reinado, o faraó Aquenáton e sua mulher Nefertiti decidiram desafiar todo o sistema religioso do Antigo Egito. Dispostos a sacudir as bases de sua sociedade, eles criaram ideias que levariam o império à beira do abismo.
O casal começou a reinar durante os anos dourados da civilização egípcia, por volta de 1.353 a. C., quando o império era o mais rico e poderoso do mundo —as colheitas eram abundantes, a população, bem alimentada, os templos e palácios reais estavam cheios de tesouros e o exército obtia inúmeras vitórias contra todos os inimigos. Todos acreditavam que o sucesso vinha por conseguirem manter os deuses felizes.
Foi então que Aquenáton chegou ao trono com o ímpeto de modificar uma religião de 1,5 mil anos de idade.

Somente o sol

A ideia era revolucionária: pela primeira vez na história, um faraó queria substituir o panteão de deuses egípcios por uma única divindade — o deus Sol, ou Atón, o criador de todos.
A proposta era considerada uma heresia. Mas como o faraó era considerado um deus na terra, tinha poderes ilimitados para modificar o que quisesse. Ele decretou que os 2 mil deuses que eram adorados no Egito havia mais de um milênio estavam extintos. Suas aparências humanas e animalescas foram substituídas pela forma abstrata do Sol e de seus raios.



O sol no trono de Tutancâmon, que talvez tenha sido refeito para AquenatónDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionO sol era o único deus necessário para nova religião

Para os poderosos sacerdores tradicionais, que haviam dedicado suas vidas inteiras aos deuses antigos, a mudança de doutrina era uma catástrofe. Eles praticamente haviam governado o Egito, agora eram dispensáveis — e formavam um grupo perigoso de inimigos para Aquenáton.
No quinto ano de seu reinado, o faraó decidiu que deixaria a cidade de Tebas e se instalaria ao norte do rio Nilo.



LúxorDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionLúxor, à beira do rio Nilo, foi construída sobre as ruínas de Tebas

Rumo ao futuro

Àquela altura, era evidente que Aquenáton queria romper com o passado. Ele deu a Nefertiti igualdade de poderes e o título de Grande Esposa Real. Juntos eles viajam 320 quilômetros e mandaram construir uma cidade no local onde hoje fica o município de Amarna.
Sobre uma rocha que ainda existe nas colinas da região, está escrita uma proclamação pública composta por Aquenáton que explica o motivo que o levou a escolher precisamente aquele lugar. Ele teria sido comandado pelo próprio deus Sol, que o mandava edificar ali.
A comunicação teria sido feita por meio de um sinal: a região é cercada de colinas, e em certas épocas do ano o Sol se põe entre elas, criando a forma do hieróglifo do horizonte. Aquenáton interpretou isso como um sinal.



Sol se pondo entre colinas e formando o símbolo do horizonte
Image captionSol se pondo entre colinas e formando o símbolo do horizonte

Horizonte de Atón

Millhares de pessoas de Tebas foram trazidas para construir, decorar e administrar a nova capital, que chegou a ter população de 50 mil pessoas.
A cidade tinha poços, árvores e jardins florescendo no meio do deserto. Casas, palácios e templos ao deus único foram criados em tempo recorde.
O local foi batizado de Ajetatón —horizonte de Aton— e se tornou o novo coração político e religioso do império, e o centro de um novo culto.
Não só a capital e a religião mudaram. A revolução iniciada pelo casal real trouxe outras novidades: nos costumes.



Retrato da família real
Image captionGravuras que retratam a vida íntima da família real eram uma novidade
Retrato da família realDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionPela primeira vez a família real era retratada demonstrando afeto

Gravuras cheias de detalhes encontradas em Amarna mostram momentos íntimos da vida da família real, como Aquenáton e Nefertiti abraçando suas filhas. Até então, nenhuma família real egípcia havia sito retratada em demonstrações de carinho.
São obras espontâneas e cheias de vida se comparadas com a arte egípcia anterior, que tende a ser mais estática e monumental.
As estátuas do faraó que ainda existem possuem as mesmas qualidades. A sua postura, de pé, com os braços cruzados sustentando insígnias reais, é comum. Mas sua fisionomia é completamente diferente da dos soberanos que vieram antes e depois, que costumam ter semblantes fortes e viris.
Aquenáton, ao contrário, tem um rosto comprido, com um nariz grande que aponta para sua barba. Seus inusitados lábios carnudos, seus quadris largos e sua barriga um pouco proeminente remetem a uma sensualidade feminina.



Estátua de AkenatónDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionNão restaram muitas estátuas do faraó

Oração ao ar livre

A arquitetura do período também demonstra um desejo de romper com o passado. Os templos tradicionalmente fechados se afunilavam, com o piso levemente levantado e o teto caído, e pouquíssima entrada de luz.
O culto ao Sol trouxe santuários ao ar livre, algo que nunca havia sido feito em grande escala.



Estátua de Aquenatón e NefertitiDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionO casal real começou a acreditar que era divino

Em certo momento, os únicos fiéis autorizados a entrar nos templos eram o faraó e sua mulher. A partir de textos encontrados nos dias de hoje, os estudiosos teorizam que Aquenáton e Nefertiti passaram a acreditar que somente eles podiam se comunicar com Aton. O faraó seria filho de Deus e Nefertiti também seria divina - os súditos deveriam adorá-los.
Foi o ápice de sua revolução religiosa.

Queda

No entanto, as coisas começaram a desandar. Os súditos não haviam de fato abandonado a adoração aos outros deuses, então Aquenáton ordenou que todas as imagens dos deuses antigos fossem destruídas, especialmente as do deus maior do panteão, Amon-Rá.
Também mandou seus soldados apagarem a memória de todos os deuses em suas terras. No fim de seu reinado, sua revolução se enfraqueceu - como ele se recusava a sair da nova cidade, era visto como fraco e o império como vunerável a invasões.



Tábuas de escrita do período
Image captionTábuas de argila encontradas em Amarna revelam a natureza do problema enfrentado pelo faraó

Tábuas de argila encontradas em Amarna mostram o estado em que se encontrava o império. Uma delas foi enviada pelo governante de um dos países vizinhos protegidos pelo faraó. Ele pedia que o Egito enviasse tropas para ajudá-lo a manter os hititas, inimigos do império, sob controle.
"Já pedi, mas não fui respondido. Não me enviaram a ajuda de que preciso", se queixava o governante. Aquenáton nunca enviou tropas e o Estado vizinho caiu nas mãos dos hititas — o exército estava tão ocupado em missões de perseguição religiosa que o Egito perdeu territórios, poder, posses e status no continente.

Muitas tragédias

Nas paredes do túmulo de Aquenáton está gravado o drama da família.



Escultura do rosto de AquenatónDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionMortes na família enfraqueceram Aquenatón ainda mais

Apesar de estar muito danificada, é possível ver uma cena de luto. Umas das princesas morreu e seus pais aparecem chorando - algo sem precedentes, já que as famílias reais jamais demonstravam emoções em público.
Outras evidências indicam que Aquenáton perdeu mais de uma filha, provavelmente por causa da peste, que arrasava a região na época.
Epidemias do tipo podiam matar até 40% da população, e, como era faraó, Aquenáton era considerado pessoalmente responsável pela desgraça. Para os súditos, a catástrofe era resultado de uma ofensa feita aos antigos deuses.
No pico da crise, a rainha Nefertiti morreu e o soberano perdeu a mulher que o havia acompanhado desde o princípio.



Busto de NefertitiDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionNefertiti era conhecida por sua beleza e por suas qualidades como governante

Paraíso perdido

O paraíso de Aquenáton estava à beira do colapso. O Egito estava perdendo sua riqueza e poder.
Treze anos depois da fundação de sua cidade, Aquenáton morrreu. Há quem acredite que ele tenha sido assassinado para que seu reinado terminasse.
A cidade foi abandonada e, mais tarde, sistematicamente destruída e apagada dos registros. Também foram esquecidos o culto à Atón e o próprio Aquenáton, que durante muito tempo só foi lembrado por ser, segundo indicam os registros, o pai do grande Tutancâmon, seu sucessor.



Máscara mortuária de TutankamónDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionTutancâmon é o mais famoso dos 170 faraós que se estima terem governado o Egito

Foi Tutancâmon quem resgatou os antigos deuses e restaurou o poder e a prosperidade do Egito. Os sacerdotes voltaram a ter seu antigo poder, e a vida voltou à normalidade.
Nenhum outro faraó egípcio voltou a tentar mudar a ordem estabelecida e desafiar a religião tradicional. Os que vieram após Aquenáton se esforçaram por destruir todos os registros de seu culto herege.
Suas estátuas foram derrubadas e as pedras dos templos usadas como material para a construção de novos prédios. As rochas esculpidas foram escondidas que ninguém voltasse a vê-las.
Isso acabou preservando-as para a posteridade: na década de 1920, elas começaram a reaparecer. Muito do que sabemos de Aquenáton e do culto a Atón vem delas.
Fonte:BBC.
Professor Edgar Bom Jardim - PE

quinta-feira, 11 de maio de 2017

80 anos da chegada do trem em Bom Jardim

O "Cavalo de Ferro" chegou em 1937
                                  

A chegada do trem era sempre uma grande festa na cidade de Bom Jardim. Gente de todas as classes sociais se amontoavam com suas melhores vestes, ternos, chapéus, vestidos longos. As pessoas mais pobres vinham como podiam, até com roupas feitas de tecido usado em sacos para armazenar algodão, açúcar e outros secos e molhados. Mães imaginavam que o trem poderia trazer um bom casamento para suas filhas, donzelas, princesas. Esperança de dias melhores... Comerciantes tinham expectativas de fazer bons negócios com visitantes, receber hóspedes, Otimistas sonhavam com a instalação de fábrica, era o progresso. Os pessimistas temiam a vinda dos ladrões. Tropeiros temiam perder suas fonte de renda com a chegada do cavalo de ferro. A política se manifesta dividida entre os que eram favoráveis e os que eram contrários a chegada do trem.  Durou pouco, sonhos foram desfeitos, nada de fabricas, só restam as memórias de um Bom Jardim de muitas histórias, altos e baixos. 80 anos da chegada do trem, realidades adormecidas entre o antigo e o atual. Diferenças mostram as indefinições. Não há como apagar as insatisfações ao longo do tempo e o registro pela história.

Por Edgar Severino dos Santos - Professor de História.
Foto: Autor desconhecido.
Bom Jardim, 11 de maio de 2017.
http://blogprofessoredgarbomjardim-pe.blogspot.com.br/2017/05/o-trem-em-bom-jardim.html
Professor Edgar Bom Jardim - PE

sábado, 5 de novembro de 2016

O divã de Freud não é pequeno

Freud é um pensador que me atrai. Não sou psicanalista, mas admiro suas reflexões e forma com viu o avesso da coisas. Leio, atualmente, um biografia dele, escrita por Elizabeth Roudinesco. Muito bem elaborada, atraente, desperta especulações e prima pela erudição. Debato texto de Freud nas minhas aulas, apesar de haver historiadores que desprezem o mestre que tanto enalteço. Aprendi muito com seus livros e seus intérpretes. Há preconceitos que, também, invadem às academias e invejas que circulam agressivamente. A disputa intelectual é parte das lutas dos que se embriagam com o saber. O passado não está fora do que vivemos agora. Devemos compreendê-lo.
Freud desnudou o homem e seus desejo. Trouxe polêmicas e ambiguidade. Assustou a sociedade. Não hesitou. Falou da sexualidade, mostrou a densidade das escolhas e poder dos sonhos. Era senhor de muitos  caminhos. Não se intimidava com as questões de seus críticos. Ampliava vaidades, rompeu com amigos, conviveu com cientistas famosos. Sustentou desafios. Usou cocaína durante uns anos, fumava charutos, dialogava com as novidades que abalavam as universidades da época. Criou uma obra que não se foi. Sua hermenêutica é  um cristal precioso. Decifra, se engana, produz dúvidas e inquietações. Enfrenta as limitações e as máscaras do humano.
Não foi uniforme. Senti o golpe da primeira Guerra Mundial. Abraçou o pessimismo, desconfiou de certas generosidades e proclamou o lugar da violência e da pulsão de morte. Na literatura, encontrou-se com o mitos gregos, cultivou as tragédias, apaixonou-se por Shakespeare. Lá estão Édipo, Hamlet e as inúmeras fantasia que moram no humano. Observava o cotidiano como poucos , anotava detalhes, desenhava neuroses, assumia modelos, queria ser respeitado. Conseguiu êxito. Visitou os Estados Unidos com grande alarde. Tornou-se uma figura ímpar, embora não gozasse de unanimidade. Morreu deixando vasta influência.
Roudinesco escreve com elegância. Não esquece as curiosidade, visita fontes devastadoras, não foge de se colocar nas polêmicas. Trata-se de um livro singular. Lembrou-me de uma outra biografia de Freud, escrita por Peter Gay. Roudinesco já tem uma vasta obra, inclusive com livros traduzidos no Brasil. Num mundo complexo, navegar pelos oceanos da psicanálise é indispensável. Não termos todas as respostas, mas agitaremos apatias. Como o divã de Freud caberia os clientes contemporâneos? Já imaginou Cunha, Malafaia, Renan, Temer, Moro, Dilma numa sessão de terapia? E aquelas personagens cínicas que andam ocupando a imprensa com notícias tenebrosas?
As relações que tocam o sentimento provocam dissidências. Há quem se esconda, se transfira para negócio obscuros. As drogas prometem curam dissabores e estimular valentias. Será? O jogo dos remédios é comum. As farmácias habitam nas esquinas e as pessoas se apressam. Resistem à reflexão, buscam curas milagrosas. Falta paciência ou vontade de não conviver com a dor? A incompletude esvazia a coragem de muitos. O mito da eternidade possui seu público. Há religiões que tornam a fé um bem especial. A grana corre. Como Freud se sentiria na plenitude de narcisismo monstruoso? Mudaria sua teorias? Congelaria suas ideias?
Por Paulo Rezende.
Professor Edgar Bom Jardim - PE

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Nietzsche: o apodrecimento dos valores


A palavra crise tornou-se comum. Seria difícil, porém, pensar uma sociedade sem tensões. O ritmo tem suas variações. O mundo está contaminado por explorações e violências cotidianas. É fundamental não desprezar o passado. É possível localizar tantas guerras, tantas disputas políticas, tantas hierarquias sufocantes. Observar a profundidade da crise ajuda a solucioná-la. Nem sempre há caminhos, muitas vezes surgem abismos imensos. Lembro-me das leituras das obras de Nietzsche, das aulas, dos debates. É um autor que desvendou enigmas e enfrentou os atropelos da vida com coragem, não  fez da estética um espelho da mesmice. Não se prendeu aos estigmas do seu tempo. Foi além do bem e do mal.
A sua preocupação com os valores era marcante. Não perdia olhar atentos aos desmandos da chamada civilização ocidental. Crítico do platonismo e do cristianismo buscava denunciar as covardias, as massificações. a falta de reflexão. Anunciava a necessidade de superar valores carcomidos. O homem é uma ponte, não está terminado. As travessias são desafios, pois as verdades são históricas, merecem ser ameaçadas para não congelar deuses absolutos e escravizantes. Nietzsche não foi bem recebido pelo seu tempo. Era muito estranho o que dizia para quem estava envolvido com as tradições, quem admirava as religiões ligadas à exaltação da culpa.
Hoje, sua obra influencia, de forma determinante, pensadores que gozam de prestígio. Como negar que os valores estão apodrecendo e que a hipocrisia ganha espaço? A crise é forte, porque destrói paradigmas, alimenta o apego ao individualismo. Quais os sinais de solidariedade? A sociedade não vive sem regras, mas quem  pode fazê-las, quem ataca as desigualdades? A dispersão é esquizofrênica. Os noticiários modificam suas manchetes, apresentam-se descartáveis. As denúncias de corrupção assustam. As quadrilhas políticas são ágeis e procuram criar legitimidade. Possuem consultores que enfeitam os saberes acadêmicos com milhões de análises e reais.
As mercadorias ficam firmes nas vitrines da cada esquina. Cada um é pelo que aparece. Uma sociedade atordoada, sem respiração, vestida da tatuagens sombrias inventa pesadelos niilistas. As dúvidas e sugestões de Nietzsche ainda permanecem com eco grandioso. O mundo investe no desperdício e no vazio da nudez dos objetos sofisticado. Quem consagra apostas, na magia da grana, desengana-se. A complexidade atinge intimidade, lamenta o desamor, teme que não haja salvação. Talvez, a crise seja uma continuidade da história. No entanto, movimentos se arquitetam para que a dimensão ética não se resuma a delações e ao desejo de eliminar ferozmente o outro. Se a política se constitui um vil e traiçoeiro mercado de negócios, o deus nietzschiano, que dança e ri, se exila na agonia. Fonte: Astúcia de Ulisses.
Professor Edgar Bom Jardim - PE

sábado, 28 de novembro de 2015

Estudantes da EREM Justulino Ferreira Gomes vivenciaram a II Semana de Humanas


Estudantes da Escola de Referência em Ensino Médio Justulino Ferreira Gomes, localizada no município de Bom Jardim, Agreste do Estado, realizaram, na última quinta-feira (19), a II Semana de Humanas. Com o tema da Semana intitulado: “Revoluções: Um povo que se transforma”, os estudantes apresentaram os movimentos sociais que marcaram a história do Brasil e provocaram importantes mudanças no cenário nacional. O evento contou com a coordenação dos professores das disciplinas de Humanas e a equipe gestora.
O projeto teve com objetivo principal mostrar que a escola é um espaço de reflexão, debate e formação crítica para o devido exercício da cidadania. As atividades foram realizadas durante os meses de outubro e novembro, através das quais os estudantes buscaram demonstrar a ideologia que movia as mentes de diferentes épocas da nossa história, com ênfase no caráter reivindicatório. As apresentações contaram com a participação da comunidade escolar.
“A Era Vargas”, “Os grandes Festivais da Música Popular Brasileira – MPB”, “A Ditadura Militar”, “O Movimento Estudantil”, “Os Caras Pintadas” foram alguns dos conteúdos explorados pelos estudantes e apresentados para o público, através de diversas peças teatrais, musicais e exposições. A estudante, Janaína Carla, 15 anos, do 2º ano, explica que o projeto fez com que ela tivesse um entendimento melhor sobre os assuntos. “Este projeto nos deu a oportunidade de vivenciarmos os movimentos que revolucionaram a trajetória do nosso país”, comentou.

Os participantes tiveram a oportunidade de conhecer, de forma dinâmica e interativa, um pouco sobre a luta do povo brasileiro pela conquista da democracia e reconhecimento de seus direitos, conforme afirmou a estudante Thalia Gomes, 16 anos, 3º ano. “Adentramos em períodos da história repletos de significativos movimentos sociais. A Semana de Humanas ampliou nosso conhecimento e despertou a ânsia de lutar por nossos ideais, acima de qualquer circunstância”, finalizou. educacao.pe.gov.br
Fotos:
Professor Edgar Bom Jardim - PE

domingo, 13 de setembro de 2015

A nova espécie do gênero humano

Cientistas acabam de descobrir uma possível nova espécie do gênero humano em uma tumba em cavernas da África do Sul - algo que pode mudar o que sabemos hoje sobre os ancestrais humanos.

A descoberta de esqueletos parciais de 15 indivíduos é a maior do seu tipo na África do Sul e impressionou os pesquisadores.
Os estudos, divulgados na publicação científica Elife, também indicam que esses indivíduos seriam capazes de ter um comportamento ritual.
As espécies, que foram nomeadas naledi, foram classificadas no grupo, ou gênero,Homo, que é o mesmo a que pertence o humano moderno.
Os pesquisadores não conseguiram precisar a data exata em que essas criaturas viveram, mas o cientista que liderou a equipe, Lee Berger, disse à BBC que esses indivíduos poderiam ser os primeiros desse tipo (Homo) e poderiam ter vivido na África há cerca de 3 milhões de anos.
Berger acredita que o Homo naledi pode ser considerado uma "ponte" entre os primatas bípedes e os humanos modernos.
"Fomos para lá com a ideia de recuperar um fóssil. Isso acabou se tornando uma descoberta de múltiplos fósseis. Que se tornou a descoberta de múltiplos esqueletos e múltiplos indivíduos!"
"Então, até o fim daquela experiência inesquecível de 21 dias, nós tínhamos descoberto o maior conjunto de fósseis humanos (da história) no continente africano. Essa foi uma experiência extraordinária!"
Chris Stringer, do Museu de História Natural britânico, classificou a descoberta como "muito importante".
"Estamos descobrindo mais e mais espécies de criaturas, o que sugere que a natureza estava 'experimentando' qual seria a melhor forma de evoluir os seres humanos, dando assim origem a vários tipos diferentes de criaturas 'humanoides' em diferentes partes da África. Apenas uma linha deles, porém, sobreviveu para dar origem a nós", disse ele à BBC.

Importância

As ossadas estão sendo mantidas em um quarto seguro na Universidade de Witwatersrand, em Johannesburgo, na África do Sul, e a BBC visitou o local com Lee Berger.
A porta para o quarto parece aquelas que fecham os cofres de bancos. Berger explicou que todo o nosso conhecimento sobre os ancestrais humanos é baseado em esqueletos parciais e crânios.
As ossadas de 15 esqueletos parciais incluem ossos de homens e mulheres de idades variadas – desde crianças a idosos. A descoberta é inédita na África e jogará luz sobre futuras conclusões sobre como os primeiros seres humanos evoluíram.

Como aconteceu a descoberta

Uma das perguntas mais intrigantes que surgiram após a descoberta foi: como aqueles ossos foram parar ali?
A BBC visitou o local onde os esqueletos foram encontrados, a uma hora de carro da universidade. É uma área chamada de "Berço da Humanidade". A caverna leva a um túnel subterrâneo por onde parte da equipe de Berger foi rastejando em uma expedição bancada pela National Geographic Society.
Como o túnel era estreito, coube às mulheres menores rastejar pela escuridão, iluminadas apenas por suas lanternas na cabeça em uma jornada precária que durou 20 minutos - até encontrarem uma câmara que continha centenas de ossos.
Uma dessas mulheres era Marina Elliott. Ela mostrou a entrada estreita para a caverna e depois descreveu como se sentiu quando viu pela primeira vez a câmara.





"A primeira vez que fui para o local da escavação, eu comparava com a sensação que (o arqueólogo) Howard Carter deve ter tido quando abriu a tumba (do faraó egípcio) Tutancâmon – você está em um espaço muito pequeno e, de repente, ele se abre e você pode ver coisas maravilhosas! Foi incrível", disse ela.
Professor Edgar Bom Jardim - PE

domingo, 28 de junho de 2015

O machismo costura histórias seculares

Por Antônio Paulo Rezende.
As mudanças ocorrem e direitos são assegurados. Os ritmos variam e se misturam com os devaneios.No entanto, permanecem desencontros que pareciam ser superados pelos iluminismos tão exaltados. Quebrou-se a sociedade da servidão, as cidades anunciavam liberdade, as revoluções queriam definir outras relações. Chegou-se a acreditar que as ciências desvendariam mistérios e conseguiria firmar a paz. Mas a desconfiança não se foi. As guerras e as colonizações mostravam uma violência desproporcional. A dominação impunha costumes culturais, ampliava preconceitos, submetia povos inteiros. Genocídios marcam a história, apesar dos discursos generosos que mascaram a vontade de poder.
Esquecemos que somos animais. Temos sofisticações, inventamos tecnologias. Procuramos sempre afirmar inteligências e competir com astúcias especiais. Há teorias que circulam prometendo futuros paraísos. As notícias não são animadoras. Na prática, somem os desejos de igualdade, prevalece o terror, o susto acorda pesadelos. Olha-se a sexualidade com estudos diferentes. Condena-se comportamentos do passado. Apesar de tantos debates, de conquistas, de rebeldias, a sociedade cultiva machismos, sepulta afetos, mascara e justifica opressões. Somos animais sociais, produzimos fantasias, andamos em pântanos que sustentam nossos voos azuis. As interrogações nos agoniam, riscam possibilidades de salvação.
É difícil compreender o vaivém da história. A questão do bem e do mal perdura. As culpas não sossegam, os arrependimentos clamam por perdões. As religiões dizem se comunicar com deuses, que a bondade é possível. A população aumentou e a complexidade também. É um exílio viver num mundo em que as imagens passam com velocidade. Estamos no Brasil assistindo ao que acontece na França. O vídeo confunde, a novela tumultua sentimentos, o consumo confunde valores. Num delírio inexplicável, as coisas tomam conta do humano, a ambição move disputas e hipocrisias, os pertencimentos são efêmeros e traiçoeiros.
Muitas carências num mundo com  diversidade imensa. As insatisfações não cessam. Na política, o machismo faz vítimas, segrega; no cotidiano envolve drama familiares. Houve deslocamentos, perdas, desafios. A psicanálise lê  sentimentos, dialoga com os traumas infantis, ajuda a decifrar desacertos. Se aceitamos que a incompletude nos acompanha, se nos lembramos de Édipo e seus destinos, das tantas  lendas que atravessam séculos, a surpresa se apresenta como companheira dos fazeres afetivos. As dores e as saudades se mantêm. Nossos malabarismos trazem novas trilhas e reinventam ilusões. Os discursos se chocam como barcos sem cais. O jogo tem cartas, cores, sangue, mas contém segredos e viajam sem direção.

Professor Edgar Bom Jardim - PE

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Contando as histórias: perdas e desfazeres


Contar a história é sempre um forma de evitar esquecimentos. Não significa que tudo pode ser lembrado, que podemos fazer um catálogo definitivo dos acontecimentos. Sabemos das ambiguidades da memória, sabemos das velocidades que invadem nossos afetos. Mas não custa semear cuidados. Não é apenas o passado que compõe a história. É preciso destacar o entrelaçamento dos tempos, insistir nos significados dos mitos, multiplicar as interpretações, inventar leituras que ajudem a se desfazer de perdas e construir outras alternativas.
Se as crises continuam nos cercando no cotidiano, os ressentimentos crescem, porque as culpas são levantadas. Há quem negue a participação coletiva, há quem se sinta completo afirmando acusações. Os desacertos existem e seu sujeitos não possuem a ingenuidade que afirmam. Se a lógica da acumulação segue as peripécias do capitalismo, a corrupção não vai deixar de acompanhá-la. A desigualdade não existe por acaso, nem todos são seus cúmplices.Mas se a exploração não se vai e a concentração de riqueza anima a minoria que costura o poder é impossível impedir as perdas.
As sociedades vivem conflitos, seus territórios registram misérias e violências. Elas se espalham e provocam instabilidades constantes.Na Europa, o desequilíbrio vence tradições, o números de desempregados aumenta, universidades fecham cursos, os centros urbanos recebem emigrantes em busca de saídas. O avesso: os antigos colonizados desejam respirar, cobram lugares para refazer suas vidas. O choque cultural se aprofunda, com as religiões exacerbando suas crenças e motivando vinganças.
As epidemias são frequentes, apesar de tecnologias e saberes sofisticados.Há milhões de pessoas sem moradias, com dificuldades de encontrar alimentação.A mídia reforça o negativo quando justifica situações precárias e centraliza noticiários. O mundo, na sua diversidade cultural, possui labirintos e impasses na comunicação afetiva. A produção de armas, o comércio das drogas, os terrorismos, a vitimização escondem histórias. O exibicionismo tem seu preço, cria espelhos para acolher ambições, não se arquitetam convivências sem fantasias.
Quando observamos que os tempos conversam, que as desarmonias marcam os registros da memória, sentimos que as perdas coletivas assombram. Vender imagens como mercadorias, como uma estética da dominação é optar que as pedras nunca saiam do meio do caminho. Se os poetas anunciam apocalipses, há também possibilidades de reinvenções. A sociedade tem se fechado no culto a valores e julgamentos que despedaçam corpos e ânimos. As portas podem ser abertas, porém as chaves estão enterradas. Os divertimentos transformam-se em rituais perigosos e tensos. Enganam.
Professor Edgar Bom Jardim - PE