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quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Vídeo SAMARICA PARTEIRA- Luiz Gonzaga


 Oi sertão!
- Ooi!
- Sertão d' Capitão Barbino! Sertão dos caba valente...
- Tá falando com ele!...
- ...e dos caba frouxo também.
-...já num tô dento.
- Há, há, há... [risos]
- sertão das mulhé bonita...
– ôoopa
- ...e dos caba fei' também ha, ha
- ...há, há, há... [risos]

- Lula!
- Pronto patrão.
- Monte na bestinha melada e risque. Vá ligeiro buscar Samarica parteira que Juvita já tá com dô de menino.

Ah, menino! Quando eu já ia riscando, Capitão Barbino ainda deu a última instrução:
- Olha, Lula, vou cuspi no chão, hein?! Tu tem que vortá antes do cuspe secá!
Foi a maior carreira que eu dei na minha vida. A eguinha tava miada.

Piriri piriri piriri piriri piriri piriri piriri
uma cancela: nheeeiim ... pá...
Piriri piriri piriri piriri piriri piriri
outra cancela: nheeeiim... pá!
Piriri piriri piriri pir... êpa !
Cancela como o diabo nesse sertão: nheeeiim... pá!
Piriri piriri piriri piriri
Um lajedo: patatac patatac patatac patatac patatac . Saí por fora !
Piriri piriri piriri piriri piriri piriri piriri piriri
Uma lagoa, lagoão: bluu bluu, oi oi, kik' k' - a saparia tava cantando.

Aha! Ah menino! Na velocidade que eu vinha essa égua deu uma freada tão danada na beirada dessa lagoa, minha cabeça foi junto com a dela!... e o sapo gritou lá de dentro d'água:
- ói, ói, ói ele agora quaje cai!

... Sapequei a espora pro suvaco no vazi' dessa égua, ela se jogou n'água parecia uma jangada cearense: [bluu bluu, oi oi, kik' k'] Tchi, tchi, tchi.
Saí por fora.

Piriri piriri piriri piriri piriri piriri piriri
Outra cancela: nheeeiim... pá!
piriri piriri piriri piriri piriri piriri

Um rancho, rancho de pobe...
- Au au!
Cachorro de pobe, cachorro de pobe late fino...
- Tá me estranhan'o cruvina?
Era cruvina mermo. Balançô o rabo. Não sei porque cachorro de pobe tem sempre nome de peixe: é cruvina, traíra, piaba, matrinxã, baleia, piranha.
Há! Maguinho mas caçadozinh' como o diabo!
Cachorro de rico é gooordo, num caça nada, rabo grosso, só vive dormindo. Há há ... num presta prá nada, só presta prá bufar, agora o nome é bonito: é white, flike, rex, whiski, jumm.
Há! Cachorro de pobe é ximbica!

- Samarica, ooooh, Samarica parteeeeira!

Qual o quê, aquelas hora no sertão, meu fi', só responde s'a gente dê o prefixo:
- Louvado seja nosso senhor J'us Cristo!
- Para sempre seja Deus louvado.

- Samarica, é Lula... Capitão Barbino mandou vê a senhora que Dona Juvita já tá com dô de menino.
- Essas hora, Lula?
- Nesse instante, Capitão Barbino cuspiu no chão, eu tem que vortá antes do cuspe secá.

Peguei o cavalo véi de Samarica que comia no murturo ? Todo cavalo de parteira é danado prá comer no murturo, não sei porque. Botei a cela no lombo desse cavalo e acochei a cia peguei a véia joguei em riba, quase que ela imbica p'outa banda.

- Vamos s'imbora Samarica que eu tô avexado!
- Vamo fazê um negócio Lula? Meu cavalin' é mago, sua eguinha é gorda, eu vou na frente.
- Que é que há Samarica, prá gente num chegá hoje? Já viu cavalo andar na frente de égua, Samarica? Vamo s'imbora que eu tô avexado!!

Piriri tic tic piriri tic tic piriri tic tic
nheeeiim... pá!
Piriri tic tic piriri tic tic
bluu oi oi bluu oi, uu, uu

- ói, ói, ói ele já voltoooou!

Saí por fora.

Piriri tic tic piriri tic tic piriri tic tic piriri tic tic
Patateco teco teco, patateco teco teco, patateco teco teco

Saí por fora da pedreira

Piriri piriri tic tic piriri tic tic
nheeeiim... pá !
Piriri tic tic piriri tic tic piriri tic tic
nheeeiim... pá !
Piriri tic tic piriri tic tic piriri tic tic
nheeeiim... pá!
Piriri piriri tic tic piriri tic tic

- Uu uu.

- Tá me estranhando, Nero? Capitão Barbino, Samarica chegou.

- Samarica chegou!!

Samarica sartou do cavalo véi embaixo, cumprimentou o Capitão, entrou prá camarinha, vestiu o vestido verde e amerelo, padrão nacioná, amarrou a cabeça c'um pano e foi dando as instrução:

- Acende um incenso. Boa noite, D. Juvita.
- Ai, Samarica, que dô !
- É assim mermo, minha fi'a, aproveite a dô. Chama as muié dessa casa, p'a rezá a oração de São Reimundo, que esse cristão vem ao mundo nesse instante. B'a noite, cumade Tota.
- B'a noite, Samarica.
- B'a noite, cumade Gerolina.
- B'a noite, Samarica.
- B'a noite, cumade Toinha.
- B'a noite, Samarica.
- B'a noite, cumade Zefa.
- B'a noite, Samarica.
- Vosmecês sabe a oração de São Reimundo?
- Nós sabe.
- Ah Sabe, né? Pois vão rezando aí, já viu??

[vozes rezando]

- Capitão Barbiiino! Capitão Barbino tem fumo de Arapiraca? Me dê uma capinha pr' ela mastigar. Pegue D. Juvita, mastigue essa capinha de fumo e não se incomode. É do bom! Aguenta nas oração, muié! [vozes rezando] Mastiga o fumo, D. Juvita... Capitão Barbino, tem cibola do Cabrobró?
- Ai Samarica! Cebola não, que eu espirro.
- Pois é prá espirrar mesmo minha fi'a, ajuda.
- Ui.
- Aproveite a dor, minha fi'a. Aguenta nas oração, muié. [vozes rezando] Mastigue o fumo D. Juvita.
- Capitão Barbiiino, bote uma faca fria na ponta do dedão do pé dela, bote. Mastigue o fumo, D. Juvita. Aguenta nas oração, muié. [vozes rezando alto].
- Ai Samarica, se eu soubesse que era assim, eu num tinha casado com o diabo desse véi macho.
- Pois é assim merm' minha fi'a, vosmecê casou com o vein' pensando que ela num era de nada? Agora cumpra seu dever, minha fi'a. Desde que o mundo é muundo, que a muié tem que passar por esse pedacinh'. Ai, que saudade! Aguenta nas oração, muié! [vozes rezando alto].Mastigue o fumo, D. Juvita.
- Ai, que dô!
- Aproveite a dô, minha fi'a. Dê uma garrafa pr' ela soprá, dê. Ô, muié, hein? Essa é a oração de S. Reimundo, mermo?
- É..é [muitas vozes].
- Vosmecês num sabe outra oração?
- Nós num sabe... [muitas vozes].
- Uma oração mais forte que essa, vocês num têm?
- Tem não, tem não, essa é boa [muitas vozes]
- Pois deixe comigo, deixe comigo, eu vou rezar uma oração aqui, que se ele num nascer, ele num tá nem cum diabo de num nascer: "Sant' Antoin pequenino, mansadô de burro brabo, fazei nascer esse menino, com mil e seiscentos diabo!"
[choro de criança]

- Nasceu e é menino homem!
- E é macho!
- Ah, se é menino homem, olha se é? Venha vê os documento dele! E essa voz!

Capitão Barbino foi lá detrás da porta, pegou o bacamarte que tava guardado a mais de 8 dia, chegou no terreiro, destambocou no oco do mundo, deu um tiro tão danado, que lascou o cano. Samarica dixe:

- Lascou, Capitão?
- Lascou, Samarica. É mas em redor de 7 légua, não tem fi' duma égua que num tenha escutado. Prepare aí a meladinha, ah, prepare a meladinha, que o nome do menino... é Bastião.
Compositorr Orlando Rodrigues
Professor Edgar Bom Jardim - PE

A farra do capitalismo rentista



Foto: Reprodução 
Se você tem acesso à internet, certamente já leu alguma notícia ou presenciou discussões acaloradas sobre Bitcoins. Nos últimos tempos, a moeda digital vem surpreendendo o mundo inteiro com uma valorização surreal, causando euforia e temor. Mas a verdade é que, independente do propósito para o qual as criptomoedas foram criadas, elas repetem um fenômeno já conhecido no sistema capitalista liberal em que vivemos. E suas consequências costumam ser desastrosas.
Há muito mistério envolvendo o surgimento do Bitcoin. O que se sabe é que seu criador, ou grupo de criadores, adotou o pseudônimo de Satoshi Nakamoto, mas, apesar de muitas investigações, nunca se chegou a uma informação oficial crível de quem fosse essa pessoa. Atualmente, ela não é a única moeda digital circulando pela internet, mas, certamente, é a mais conhecida e valorizada.
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Criada em 2008, no contexto da crise econômica global, o Bitcoin é uma criptomoeda. Uma espécie de arquivo digital online que, apesar de funcionar como moeda, não é impresso por governos ou bancos tradicionais. Sua criação se dá através de um processo envolvendo computadores e cálculos matemáticos chamado “mineração”, sendo ela considerada uma moeda descentralizada, sem um poder regulador ou controlador por trás.
Todas as informações envolvendo essas moedas e suas transações são armazenadas em um espaço digital chamado “blockchain”, que se utiliza de criptografia para tanto. Isso garante o anonimato das transações, o que gera a primeira grande crítica à moeda.
Desde a crise dos subprimes em 2008, vivemos uma época de grande desconfiança em relação ao sistema financeiro mundial. Vale lembrar que esta crise, da qual o mundo ainda não se recuperou, teve início com a falta de transparência com que bancos manejavam ativos financeiros relacionados a seguros e hipotecas, criando falsos valores por meio de maquiagens financeiras.
Muitos economistas e pessoas ligadas à política criticam que, mesmo com a grande crise, pouco foi feito no sentido de forçar os bancos a terem maior transparência. Varoufakis diz que, ao contrário, foram os Estados que se curvaram ainda mais aos bancos. Já Piketty propõe que sejam aplicadas sanções, não só aos bancos, mas também aos países que facilitam as políticas obscuras dessas instituições financeiras.
Mas o mercado de Bitcoins e outras moedas digitais caminha justamente no sentido contrário. A criptografia que envolve esse sistema promete o anonimato de todas as transações que o envolvem. Não à toa, a moeda é frequentemente associada a atividades ilícitas, como a compra de drogas na rede Silk Road. Além disso, as moedas digitais são acusadas de facilitar outros ilícitos como a lavagem de dinheiro e a evasão fiscal, como alerta o Nobel da economia Joseph Stiglitz.
Porém, convenhamos, não há nada de novo até aqui. Esses mesmos atos ilícitos e a falta de transparência sempre aconteceram nos sistemas financeiro e monetário tradicionais. Quanto a isso, só o que as criptomoedas poderiam fazer é intensificar ainda mais problemas que já existem. Além disso, bastaria que tal mercado se submetesse às mesmas regulações que o sistema financeiro tradicional para supor que o problema estaria, em parte, resolvido.
Mas esse é só o problema mais óbvio que envolve as moedas digitais.
Outro grande problema que ronda o Bitcoin é que o mesmo já deixou, há muito tempo, de se portar como uma moeda propriamente dita. O fato da criptomoeda ter a capacidade de se valorizar em uma escala incomparável, chegando a ver seu valor aumentar em 1.000% em um único mês, transformou-a, essencialmente, em objeto de especulação.
Isso porque não há motivos para seus proprietários gastarem-na em qualquer tipo de compra se, em menos de uma semana, é provável que a moeda valha o dobro do que vale hoje. Desse modo, investidores têm comprado a moeda com o único objetivo de acumular renda através de sua valorização, apoiando-se, apenas, na fé que outros investidores têm nesse mercado.
É a clássica bolha, como diversos economistas já têm alertado no mundo todo. Por isso não têm faltado comparações com a crise dos subprimes de 2008 ou com a famosa bolha das tulipas holandesas do século 17.
Contra o Bitcoin, pesa, ainda, a grande instabilidade de seu valor, que oscila com grande amplitude e imprevisibilidade a depender das notícias mundiais, além do fato de que a sua produção já está bem próxima do limite de 21 milhões de unidades imposto desde o início ao sistema. Ninguém sabe dizer como se comportará a moeda quando o limite for atingido.
Porém, a empolgação com os possíveis rendimentos em investimentos no mercado do Bitcoin tem lembrado, em muito, o clima pré-crise de 2008. E vale lembrar que tal crise foi extremamente amplificada pelo fato de empresas produtoras e geradoras massivas de emprego, como a General Eletrics, por exemplo, estarem investindo seus lucros em subprimes.
Quando a bolha estourou, a crise gerou um efeito dominó que teve como consequência o endividamento público e o desemprego em escalas globais. Não seria surpresa se o mesmo estivesse acontecendo com o mercado de Bitcoins. Se grandes produtoras e empregadoras estiverem investindo neste mercado, o sinal de alerta já deveria ter sido soado.
Além disso, mesmo que o mercado de criptomoedas surpreenda e não se torne uma bolha prestes a estourar, certo é que ele está constituindo um sistema de produção de desigualdade extrema.
Ao contrário do que se prega, o Bitcoin (e as moedas digitais em geral) não são plenamente acessíveis ao mundo todo. Segundo a ONU, em 2015, mais da metade da população mundial sequer tinha acesso à internet. Pior ainda, além dos 4 bilhões de excluídos do mundo cibernético, os outros 3,2 bilhões estão concentrados em países mais desenvolvidos. Enquanto, na Europa, mais de 80% dos lares estão conectados, na África, o índice é de cerca de 10%.
Além disso, mesmo aqueles com acesso à internet não necessariamente têm a tecnologia suficiente para produzir as moedas através da “mineração”, já que o processo tem demandado cada vez mais dos computadores. Há, ainda, o grande gasto de energia nessa atividade. Hoje, com um serviço que atende apenas cerca de 3 milhões de pessoas no mundo, o Bitcoin já tem um gasto energético que representa 0,15% da demanda global.
Por certo, o investimento em Bitcoins não é para qualquer pessoa. Sobretudo agora que a moeda vale cerca de US$ 18 mil. Isso significa que as moedas digitais podem levar a prática do rentismo a um nível jamais visto.
E, conforme já se sabe bem hoje (e Piketty demonstra isso magistralmente em sua obra), o rentismo tem uma capacidade de acumular capital infinitamente maior que atividades produtivas e que a própria força de trabalho. Não à toa, foram em momentos de farra rentista, em 1929 e 2008, que a desigualdade de renda mundial explodiu. Com um investimento que pode se valorizar em até 1.000% em um mês, como os Bitcoins, esses índices de desigualdade tendem a atingir níveis estratosféricos.
Mas, mesmo que esse processo de “rentização” do Bitcoin seja revertido e ele passe a se comportar como uma moeda verdadeira, ainda existirão outros problemas a serem resolvidos no sistema.
Se o Bitcoin surgiu como uma ideia de moeda universal e independente, não podemos esquecer o exemplo mais clássico e recente de adoção de uma moeda única no mundo. Se houve muito entusiasmo com a criação do Euro por volta dos anos 2000, hoje, a moeda europeia está longe de ser uma unanimidade.
Boa parte dos problemas em se adotar uma moeda única foram sentidos após a crise de 2008. A vinculação a uma moeda que não estava sob o controle do próprio Estado foi fatal para os países menos desenvolvidos da Zona do Euro, sobretudo para os do Sul Europeu como Portugal, Espanha ou Grécia. Sem poder se utilizar de uma flutuação do câmbio, esses países ficaram sem saída quando suas economias começaram a ruir.
Aliás, essa ruína fez com que muitos, nesses países, percebessem que a política de moeda única não foi acompanhada de um mecanismo que reduzisse as desigualdades regionais dentro do próprio continente. Hoje, há um sentimento no Sul da Europa de que os europeus do Norte foram os únicos realmente beneficiados por essa política de união, principalmente a Alemanha, acusada de centralizar o poder dentro da União Europeia.
A lição que ficou da experiência do Euro, portanto, foi de que uma política de moeda única ou universal só pode surtir efeitos positivos se políticas de redução das desigualdades regionais forem implementadas em conjunto. Porém, o que se vê no mundo de hoje é justamente o contrário, com o aumento dessa desigualdade. Um ambiente nada propício para o sonho da unificação monetária.
Há, ainda, a questão do impacto ambiental, já que o gasto de energia para a produção das criptomoedas é, simplesmente, inviável para a construção de um sistema realmente global.
Com tudo isso, alguns países já têm se mexido para se proteger de um possível novo colapso econômico por conta das criptomoedas. O Equador, por exemplo, já criou sua própria moeda digital, com valor vinculado ao dólar como forma de manter a segurança. A China foi mais radical e proibiu as operações envolvendo esse tipo de moeda, embora algumas pessoas acreditem que o país deva criar a sua própria versão.
Se estes fatos chegaram a jogar o valor do Bitcoin pra baixo, por outro lado, o sistema de InitialCoinOffering e a estreia do Bitcoin no mercado futuro da Bolsa de Chicago elevaram sua cotação e deram ainda mais força à criptomoeda.
Vivemos em um mundo ainda bastante debilitado pela última farra rentista que nos acometeu. Ao contrário de 1929, porém, desta vez pouco foi feito para remediar o problema, e boa parte do mundo parece ainda se render aos mecanismos de um capitalismo liberal cada vez mais capenga.
Uma nova crise, sem dúvidas, pode causar um estrago ainda maior e forçar uma grande mudança na ordem mundial. Poderia a bolha dos Bitcoins se transformar na pá de cal da velha ordem?
Almir Felitte é advogado, graduado pela Faculdade de Direito de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo.
Carta capital
Professor Edgar Bom Jardim - PE

Religião:Igreja Universal passa a ser investigada em Portugal por suposta rede de tráfico de crianças


A Justiça e a Segurança Social de Portugal abriram inquéritos para averiguar uma suposta liderança da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) em uma rede de tráfico internacional de crianças. O processo foi aberto após o início da exibição da série de reportagens "O Segredo dos Deuses", em que a emissora de televisão portuguesa TVI mostra o resultado de uma investigação jornalística sobre o caso.
Em nota, a Procuradoria-Geral da República do país informou à TVI, líder de audiência na televisão aberta portuguesa, que "existe um inquérito relacionado com essa matéria, tendo o mesmo sido remetido ao Diap [Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa] para investigação”. 

Leia também:
Suposta rede de adoções ilegais liderada pela Igreja Universal é denunciada por TV em Portugal
Igreja Anglicana admite ter ocultado abuso de jovens

A reportagem, fruto de uma investigação de sete meses, mostra que o bispo Edir Macedo, líder máximo da IURD, está diretamente envolvido no esquema, tendo inclusive escolhido seus netos através de fotografias. Em um primeiro momento, o religioso defendia a vasectomia para os pastores, para diminuir os gastos financeiros da igreja, aponta a reportagem. Os religiosos eram inclusive obrigados a fazer a cirurgia até em clínicas clandestinas, segundo relatos do ex-bispo Alfredo Paulo Filho. Em Portugal, homens com menos de 25 anos não podem fazer vasectomia.

Quando a sua filha biológica mais nova, Viviane Cardoso, casou, o bispo mudou de opinião e passou a defender a adoção, segundo a TVI. As crianças roubadas de suas mães eram levadas a um lar ilegal de crianças em Lisboa, capital de Portugal, onde eram depois encaminhados para as casas de líderes da igreja.

Reação da IURD
Em um vídeo publicado no canal oficial da Igreja Universal no YouTube [assista abaixo], Louis e Vera Andrade, os netos de Edir Macedo apontados como roubados negaram ter sido raptados na infância. "A TVI está dizendo coisas a nosso respeito que não são verdadeiras. Estão dizendo que fomos raptados pela cúpula da Igreja Universal, mas nós não fomos raptados. Fomos adotados de forma legal", disse Louis no vídeo. Eles também pediram a não veiculação de suas imagens e nomes pela emissora, mas não foram atendidos e a reportagem foi ao ar normalmente.

Em nota, a Igreja Universal do Reino de Deus classificou a série como "mentirosa" e acusou a emissora de "promover uma campanha difamatória" que a instituição "não pode tolerar". Ainda de acordo com o texto da IURD, a TVI baseou a série em relatos de Alfredo Paulo Filho, ex-bispo da igreja, que foi expulso da instituição após "condutas impróprias que tornaram insustentáveis a sua permanência na Igreja Universal do Reino de Deus". A IURD também afirmou na nota que o ex-bispo foi condenado a pagar R$ 1,7 milhão de indenização à igreja por danos morais. 

Professor Edgar Bom Jardim - PE

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Aliados do presidente Temer querem seu voto para governar Pernambuco

Circula  nas redes sociais o cartaz dos aliados do presidente Temer no Estado de Pernambuco. Eles fazem uma forte oposição ao governador Paulo Câmara. Se colocam como salvadores da" pátria", no entanto, apoiam  um governo reprovado por mais de 90% da população brasileira, só fazem aquilo que o povo não quer. Será que os eleitores irão acreditar nos aliados do presidente nas eleições de 2018. Votam nos projetos de um governo tido como corrupto, são contra os direitos dos trabalhadores, defendem o fim da aposentadoria para milhões de trabalhadores que serão afetados pelo projeto de reforma da previdência.  Eles merecem seu voto? Qual será o futuro do Estado de Pernambuco? Você acredita que essa oposição fará melhor por nosso povo? Que caminho político seguir.? Haja reflexões para se tomar decisão.



Professor Edgar Bom Jardim - PE

Calote legalizado: Bancos vão pagar até R$ 5 mil à vista a poupadores de planos econômicos


Representantes dos poupadores e dos bancos fecharam, na noite desta segunda-feira (11), os últimos detalhes do acordo para o ressarcimento de correções das cadernetas de poupança dos anos 1980 e 1990. Os poupadores receberão à vista as indenizações de até R$ 5.000.

Quem tiver a receber valores superiores a esta cifra, receberá em até seis parcelas semestrais -a depender da ação (individual, coletiva ou civil pública). As parcelas semestrais serão corrigidas por uma cesta de índice de preços, que terá como principal referência o índice de inflação oficial (IPCA).

Leia também:
Poupança tem melhor resultado para novembro em quatro anos
IPCA acumula 1,62% no ano, menor taxa desde 1994

O valor do ressarcimento sofrerá um desconto, que vai variar de acordo com o plano econômico que afetou o poupador. A partir de R$ 20 mil, os descontos variam de 8% a 19%, segundo apurou a reportagem.

A ideia é que os pagamentos possam ser feitos o quanto antes, mas a avaliação inicial é que não dará tempo para sair ainda neste ano. Isso porque o acordo ainda depende de homologação pelo STF (Supremo Tribunal Federal). O acordo valerá para os poupadores que tinham caderneta durante a vigência dos planos Bresser (1987), Verão (1989) e Collor 2.

Os detalhes do acordo deverão ser divulgados pela AGU (Advocacia Geral da União) na noite desta terça-feira (12). Todos que tiverem ações na Justiça, individuais, coletivas e ações civis públicas, poderão aderir ao acordo em um prazo máximo de dois anos. O valor total de ressarcimento é de cerca de R$ 10 bilhões e R$ 12 bilhões. De Folha de Pernambuco.
Professor Edgar Bom Jardim - PE

domingo, 10 de dezembro de 2017

REDE é o partido que mais combate a corrupção, diz estudo da FGV


A REDE é o partido que mais tem se destacado na proposição de ações anticorrupção, com uma média de 3,5 projetos por parlamentar. Os dados são do livro “Diagnóstico Institucional: primeiros passos para um plano nacional anticorrupção”, feito a partir de um estudo desenvolvido pelo departamento de Direto da Fundação Getúlio Vargas no Rio (FGV-RJ), e patrocinado pelo Prosperity Fund, do Reino Unido.
Segundo o estudo, a REDE é seguida pelo PSOL, com 1,83 proposições por deputado, PPS, com 1,63 proposições por deputado e PV, com 1,33.. Os demais partidos possuem menos de uma proposição em tramitação por deputado. PTN, PTdoB, PSL, PRP, PMB e PEN não possuem proposições em tramitação sobre o tema na Câmara dos Deputados.
Nesta semana, a REDE divulgou seus primeiros vídeos da propaganda partidária, denunciando a união dos principais partidos por um fundo bilionário e desproporcional de financiamento de campanha. “Chegou a hora da sociedade fazer a Operação Lava-Voto”, diz Marina Silva, porta-voz nacional da REDE.
Acesse aqui: https://bibliotecadigital.fgv.br/dspace/handle/10438/18167
O enfrentamento permanente da corrupção no Brasil depende do encontro de interesses e competências institucionais. As condições para que os inúmeros órgãos que formam o sistema de integridade nacional conjuguem esforços não são simples de se atingir. Este é o propósito do estudo desenvolvido pela FGV Direito Rio e patrocinado pelo Prosperity Fund, do Reino Unido: apresentar o diagnóstico institucional de parte da estrutura brasileira de combate à corrupção e com isso contribuir com os fundamentos do esperado Plano Nacional Anticorrupção. Esse esforço interdisciplinar de pesquisa combinou 1) a análise da experiência de combate à corrupção no Reino Unido ao longo dos últimos dez anos, 2) a avaliação da evolução legislativa e institucional do Brasil na luta contra a corrupção, 3) o estudo sobre os instrumentos judiciais e respectivas respostas do STF e STJ sobre a investigação e punição de crimes contra a Administração Pública e de improbidade administrativa, 4) a avaliação sobre transparência em processos licitatórios em prefeituras e tribunais de contas e, por fim, 5) a análise sobre as atuais proposituras do Congresso Nacional em resposta à expectativa popular de combate à corrupção.
Áreas do conhecimento
Professor Edgar Bom Jardim - PE

Como 'comportamento de manada' permite manipulação da opinião pública por fakes


Ilustração reproduz efeito de comportamento de manada
Image captionUsuários reais estão sujeitos à manipulação de perfis falsos nas redes sociais | Ilustração: Kako Abraham/BBC

A estratégia que vem sendo usada por perfis falsos no Brasil e no mundo para influenciar a opinião pública nas redes sociais se aproveita de uma característica psicológica conhecida como "comportamento de manada".
O conceito faz referência ao comportamento de animais que se juntam para se proteger ou fugir de um predador. Aplicado aos seres humanos, refere-se à tendência das pessoas de seguirem um grande influenciador ou mesmo um determinado grupo, sem que a decisão passe, necessariamente, por uma reflexão individual.
"Se muitas pessoas compartilham uma ideia, outras tendem a segui-la. É semelhante à escolha de um restaurante quando você não tem informação. Você vê que um está vazio e que outro tem três casais. Escolhe qual? O que tem gente. Você escolhe porque acredita que, se outros já escolheram, deve ter algum fundamento nisso", diz Fabrício Benevenuto, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), sobre a atuação de usuários nas redes sociais.
Ele estuda desinformação nas redes e testou sua teoria com um experimento: controlou quais comentários apareciam em um vídeo do YouTube e monitorou a reação de diferentes pessoas.
Quanto mais elas eram expostas só a comentários negativos, mais tendiam a ter uma reação negativa em relação àquele vídeo, e vice-versa.
"Um vai com a opinião do outro", conclui Benevenuto. Em seu experimento, os pesquisadores chegaram à conclusão de que a influência estava também ligada a níveis de escolaridade: quanto menor o nível, mais fácil era ser influenciado.

Exército de fakes


Captura de tela de perfil identificado como falso no Facebook
Image captionUsuária identificada como falsa, com foto de perfil de banco de dados, tem 2.426 amigos | Foto: Reprodução/Facebook

Evidências reunidas por uma investigação da BBC Brasil ao longo de três meses, que deram origem à série Democracia Ciborgue, da qual esta reportagem faz parte, sugerem que uma espécie de exército virtual de fakes foi usado por uma empresa com base no Rio de Janeiro para manipular a opinião pública, principalmente, no pleito de 2014. E há indícios de que os mais de 100 perfis detectados no Twitter e no Facebook sejam apenas a ponta do iceberg de uma problema muito mais amplo no Brasil.
A estratégia de influenciar usuários nas redes incluía ação conjunta para tentar "bombar" uma hashtag (símbolo que agrupa um assunto que está sendo falado nas redes sociais), retuítes de políticos, curtidas em suas postagens, comentários elogiosos, ataques coordenados a adversários e até mesmo falsos "debates" entre os fakes.
Alguns dos usuários identificados como fakes tinham mais de 2 mil amigos no Facebook. Os perfis publicavam constantemente mensagens a favor de políticos como Aécio Neves (PSDB) e o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB), além de outros 11 políticos brasileiros.
Eles negam ter contratado qualquer serviço de divulgação nas redes sociais por meio de perfis falsos. A investigação da BBC Brasil não descobriu evidências de que os políticos soubessem do expediente supostamente usado.
Eduardo Trevisan, dono da Facemedia, empresa que seria especializada em criar e gerir perfis falsos, nega ter produzido fakes. "A gente nunca criou perfil falso. Não é esse nosso trabalho. Nós fazemos monitoramento e rastreamento de redes sociais", disse à BBC Brasil.

Personas

As pessoas que afirmam ser ex-funcionárias da Facemedia entrevistadas pela BBC Brasil disseram que, ao começar na empresa, recebiam uma espécie de "pacote" com diferentes perfis falsos, que chamavam de "personas". Esses perfis simulavam pessoas comuns em detalhes: profissão, história familiar, hobbies. As mensagens que elas publicavam refletiam as características criadas.
"As pessoas estão mais abertas a confiar numa opinião de um igual do que na opinião de uma marca, de um político", disse um dos entrevistados.
"Ou vencíamos pelo volume, já que a nossa quantidade de posts era muito maior do que o público em geral conseguia contra-argumentar, ou conseguíamos estimular pessoas reais, militâncias, a comprarem nossa briga. Criávamos uma noção de maioria", diz um ex-funcionário.
Para Yasodara Córdova, pesquisadora da Digital Kennedy School, da Universidade Harvard, nos EUA, e mentora do projeto Serenata de Amor, que busca identificar indícios de práticas de gestão fraudulentas envolvendo recursos públicos no Brasil, "a internet só replica a importância que se dá à opinião das pessoas ao redor na vida real".
"Se três amigos seus falam que um carro de uma determinada marca não é bom, aquilo entra na sua cabeça como um conhecimento", diz ela.

Ilustração de mãos tentando alcançar símbolos de likesDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionEspecialista vê prática como fator que afeta a confiança da socieade na democracia

Confiança abalada

Para Lee Foster, da FireEye, empresa americana de segurança cibernética que identificou alguns perfis fakes criados por russos nas eleições americanas, essa tentativa de manipulação pode não fazer as pessoas mudarem seus votos. "Mas podem passar a ver o processo eleitoral todo como mais corrupto, diminuindo sua confiança na democracia", afirma.
"As redes sociais estão permitindo cada vez mais coisas avançadas em termos de manipulação nas eleições", diz Benevenuto, citando as propagandas direcionadas do Facebook. "Estamos entrando em um caminho capaz de aniquilar democracias."
A solução proposta por pesquisadores para o problema dos perfis falsos e robôs em redes sociais vai da transparência das plataformas ao esforço político de "despolarizar" a sociedade.
Córdova diz que não se deve pensar em "derrubar todos os robôs" - que não são necessariamente maliciosos, são mecanismos que automatizam determinadas tarefas e podem ser usadas para o bem e para o mal nas redes sociais.
"É impossível proibi-los. A saída democrática é ter transparência para outros eleitores", afirma. Se "robôs políticos" existem e estão voluntariamente cedendo seus perfis para reproduzir conteúdo de um político, eles devem estar marcados como tal, como, por exemplo, "pertencente ao 'exército' do candidato X".

Transparência

Defensora do direito à privacidade e da liberdade de expressão, a pesquisadora Joana Varon, fundadora do projeto Coding Rights ("direitos de programação"), também defende a transparência como melhor via. "Anonimato e privacidade existem para proteger humanos. Bots (robôs de internet) feitos para campanha eleitoral precisam ser identificáveis e registrados, para não enganar o eleitor", afirma.
Mas como aplicar essa lógica para os perfis falsos controlados por pessoas que prestariam serviço secretamente para políticos, como os identificados pela BBC Brasil?
Para Pablo Ortellado, professor do curso de Gestão de Políticas Públicas da Universidade de São Paulo (USP), deve haver maior transparência e regulação em plataformas como o Facebook, que deve começar a agir "como se fosse um Estado, já que virou a nova esfera pública", onde acontecem discussões e interações. Ou seja, a plataforma deve começar a se autorregular, se não quiser ser regulada pelos Estados.
Uma de suas tarefas, diz ele, deve ser excluir esses perfis falsos da rede - algo que a própria empresa diz, sem dar detalhes, que pretende fazer no Brasil antes das eleições de 2018.

Mulher passa mural com a marca do FacebookDireito de imagemPA
Image captionFacebook diz que está aperfeiçoando seus sistemas para 'detectar e remover' conteúdos ligados a fakes

"Mas o grande desafio mesmo é desarmar a sociedade, que está muito polarizada e sendo estimulada nos dois campos. Sem essa polarização, cai a efetividade dos perfis falsos", diz Ortellado.
Córdova defende que os usuários sejam educados sobre o que são robôs e que mais pessoas os estudem. "O remédio contra esses exércitos de robôs é um exército de pessoas que entendam a natureza dessas entidades na internet."
Além disso, diz, a tendência é que as plataformas deixem as pessoas controlarem seus próprios feeds e que existam cada vez mais empresas de checagem de notícias, já que outra preocupação em 2018 são as "fake news" (notícias falsas). "Não tem solução mágica. É um ecossistema que está sendo criado."
À BBC Brasil, o Twitter informou que "a falsa identidade é uma violação" de suas regras e que contas que representem "outra pessoa de maneira confusa ou enganosa poderão ser permanentemente suspensas".
O Facebook diz que suas políticas não permitem perfis falsos e que está aperfeiçoando seus sistemas para "detectar e remover essas contas e todo o conteúdo relacionado a elas". "Estamos eliminando contas falsas em todo o mundo e cooperando com autoridades eleitorais sobre temas relacionados à segurança online, e esperamos tomar medidas também no Brasil antes das eleições de 2018."

BBC.
Professor Edgar Bom Jardim - PE